sábado, 28 de março de 2015

BEATÍFICA, BEATÍFICA - dicionario dicionário wikcionario


No que se põe existência
Há um lançar para fora
Quando está dentro o objeto
Do campo subjetivo
Ou um já estar fora
Que é o que propriamente
Se chama  “existência”
( sendo “ex” fora
E “ente”, de existente,
Manifestação do ser ou fenômeno),
Na chama do que ama
E está com a amada, o amado Jorge,
Que seja este nome para todo nome de homem,
A portar lança e espada
Sob o elmo, a  armadura de cavaleiro
E outros apetrechos,
A matar dragões estrangeiros
- e brasileiros :  os “dragões da inconfidência”,
Os quais estão mais
Para  graça ou chiste,
Vez que os demais
Desmaiam na ficção européia ou chim(chim!).

Tenho eu, inobstante  o hino,
Que caiu do céu de um Heine vivo,
 alguns reparos palpáveis
A fazer no que concerne ao conceito de existência
Porquanto  nunca  a concepção
Deixa de dissentir um pouco
Com  o que está assente nas acepções do vocábulo.
Fí-los, os tais reparos,
em outro outono das letras minhas
quando ainda de gatinhas.

Os filósofos, em geral, estão no campo oposto,
Pensam pela oposição do anverso : mero luar
Em noite de plenilúnio,
Pleno palor.
Como não sou filosofo,
Nem como na tigela deles,
Mas sou apenas eu,
O que sou, a  dar adeus
A   Adar e a Deus,
( Mês  embolístico , intercalar,
 do calendário lunissolar  judaico),
- e dar a deus também
( ao deus-dará)  
E ao ser humano que viceja,
-  uma paleta do meu pensamento
Que dissocia  existência de ser
O que dissente
de  algumas tramas mentias
 dessas traíras
que acusam “ filosoficamente”  o golpe
e  o ressentem juntos a outros outubros
que buscam o revide ,
porquanto não  é de seu feitio
a conjuração em prol do bem comum,
o qual é pertença de Platão,
que promove uma  mutação
que se passa
Antes da páscoa
E da uva-passa
Mutação essa
Que faz o infante se deitar no berço
E levantar homem
Pronto ao levante,
Que traz também o sol
Do arrebol.
( Oh! Porque  são muitos os modos
E motos do ser,
Já  asseverava  o estagirita,
Longe da Rita,
Mulher que irrita :
Megera ).

 Sou um conjurado tardio
E estou entre os poeta  árcades
Das minas gerais,
Cujo  filão foi  o maior
E mais rico veio
Que veio destas terras
Em perenes guerras,
Pois esta  é a sina do homem,
Que opõe à mulher
E  à criança ao colo,
Junto ao colar,
E , ainda, ao menino anão
Que não chegou à maturidade do homem.
Sou dos  poetas  lnconfidentes,
Até os dentes,
Que por cá cantaram
Junto ao  canto do  galo.
( Isso, ao menos em sonho,
Que na realidade amarrada
A uma máscara de ferro
E muitas grilhetas e grilhões,
Em milhões e tostões,
Nada  logrei ser de mim :
Nem saí para a existência,
Tal qual o fez o Cavaleiro da Triste Figura
Ao pé da lua
Que lutava contra São Jorge
Ou outra canonização beatífica(beatífica).


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

PALAS ATENA, PALAS ATENA - dicionario wikcionario wikdicionario






A existência humana é pura exegese;
As grandes obras  são insufladas
Mais pelo espírito do exegeta
Que pela alma do escriba.
 Palas Atena (Palas Atena!).
Os livros  ou bíblias (“Biblos”),
Eram rolos de papiros;
Daí a locução, quiçá :  pequenos livros, livrinhos.
Representam mais o labor do hermeneuta,
“Homo faber”, ( O Fabiano de Graciliano Ramos
Em  “Vidas Secas”, toadas sem veleiro para água?)
Do que o emaranhado de signos e símbolos
Que carreiam a alma do autor,
O “Homo sapiens  sapiens  sapiens”,
Sagaz , porém  prisioneiro  em sua  trama,
Falida falena,
De teia que torpedeia a bruxa
Descrita num poema de Drummond
Atrás do monte da solidão
Com minas gerais,
Riscada num bosquejo a lápis
Pela alma em noite negra
Do bailarino sobre o lápis
Com a mão a dançar,
Tracejar o tráfico
Do que enriquece em demasia,
Mas deixa o homem
Mais solitário e pobre
Que antes de encetar
A trilha do andarilho
Com o peso do ouro e diamante
A fazer do caminho
Um espinho em cada fardo
Daquele que carrega
A cruz  da riqueza,
Que lhe leva a liberdade,
Custa-lhe a saúde
E todo o bem da alma,
Que se perde no  mundo :
Esta agulha no palheiro.
A fortuna tem o efeito colateral
Da paz, da leveza e da alegria genuína, gratuita...

O autor do Auto da Imaculada
Ou dos autos do processo penal,
É o primeiro ator
A quem a trama se destina
Em primeiro motor Otto.
Seu  palco é esotérico,
Nele se encontra o deus Dionísio
Perambulando pelo coro de sátiros.
O poeta trágico
é sempre o filho inocente,
ferido e imolado  por sua cria,
que lhe deixa exangue
depois que lhe suga o sangue
e o devora carne e alma
sem piedade ou pieguice matreira,
Ao passo que o glosador 
Observa-a de cima
Tal qual um deus  epicureu ,
Eivado de desdém e mofa,
Livre de suas injunções
E suas doutrinas a bater na bigorna
Com o labor do ferreiro Hefesto, o coxo,
Em sua Forja.
Todo ser humano,
Qualquer indivíduo
É um livro escrito em linguagem de exegeta,
Pois se trata de uma exegese
Da vida de todos os homens,
De todas as histórias,
Lendas e mitos ,
Poema épicos e trágicos ,
Comédias, novelas, enfim,
Vários pequenos livros que se junta em um grande livro
Que faz a hermenêutica e narra a história
Da vida de todos os homens
Fazendo uso esporádico
De qualquer indivíduo
Que tropeça no caminho
Longo, largo e com cardo.
As obras completas dos grandes mestres da literatura
Representam essa coletânea antológica,
Bem como todos  as escrituras sagradas.

A escrita é o mito do homem:
A exegese seu ritual.
Ao descrever com o uso
Dos símbolos das geometrias
O espaço em ato
E pintá-lo com o cromatismo do tempo,
Giotto Di Bondone
Descreve em parábola exegética
A fuga da sagrada família
(”Do Egito chamei meu filho”,
Diz o Senhor  com voz subjacente à fala  do profeta).
A exegética do artista
Tira essa parábola da morte da letra
E dá-lhe à vida
Que vem no espaço das geometrias
Desenhado num burrinho,
que cheira a leite
Da mulinha de leite
Do poeta Carlos Drummond de Andrade
Que diz das ordens do pasto :
Verde ordem de Deus
Em violino com violinista a se perder  de verde
E de vista no mar verde-vertigem
Que li no relvado e no dossel .
Quem foge para o Egito
É o homem, em menino,
Mas não um homem
ou menino Jesus específico,
Porém cada um de nós,
Soldados nos nós
Górdios dos marujos.
E o Egito, donde clamei por meu filho,
É qualquer lugar
Para onde fugi
Um dia ou numa noite
Da fúria inconcebível dos Herodes imaginários ou reais,
Equacionados ou formulados
No teorema de Pitágoras
Para o triângulo retângulo
Com seus catetos e hipotenusas
Que na vida,
Fora da existência que o intelecto
Fabrica e verte
Tal qual a abelha ao mel,
- são capetas e hipótese nua
Que não cabe na poesia   pitagórica,
Perfeita como uma obra de arte dos mestres
Das artes plásticas,
As quais são um ou enclave
Contido  no livro do profeta Ezequiel,
Que, sendo esteta,
 descreve  a  beleza
E a inteligência suprema
E  lhas chama “A Glória do Senhor”:
Uma chama viva do amor
Que arde  ainda nas achas.

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sábado, 17 de janeiro de 2015

HEURÍSTICA, HEURÍSTICA - dicionario dicionário etimologia


O estudo do objeto de estudo da química tem a mesma distância de objeto, no cosmos, para o homem, que o estudo do rinoceronte. Isso no estudo. Para o estudo o cosmos é o mesmo, pois embora a química esteja arraigada num microcosmos com mais micros de distância o rinoceronte e mesmo do que seu estudioso, o homem, para o estudioso, graças ao microscópico e outras ferramentas que a mente põe de montão à mão e  à própria mente humana, não há distância alguma ; tudo, para o estudioso, pode ser colocado no mesmo cosmos, em termos de distância.
O que dista a física clássica da física quântica é resolvido pela inferência, dedução, pela heurística(heurística!) e inúmeros meios contidos nas linguagens matemáticas que deixam os cosmos se singularizarem em um único cosmos, com o fito de possibilitar e aproximar o objeto investido no estudo do observador clássico ou quântico, porquanto não há somente uma física, mas muitas, nem tampouco uma só geometria, porém inúmeras delas e elas não de distanciam nem se rivalizam, apenas se oferecem ao estudo, qual os enamorados às aras presididas pelo poetas: seus sacerdotes.
Sabemos mais da química, que é um estudo feito sem olho, que do rinoceronte, estudado a olho nu, o tal ungulado;  pois com a química naquele nível não há política e polícia, até que chegue à farmácia, aos laboratórios e consultórios : todos palcos e front da política jazzística que faz o mundo dançar e tocar saxofone; mas com o rinoceronte a política enceta e impregna o estudo porque o objeto vem  antes do estudo. E não somente o homem é um animal político, mas todos os animais são eminentemente políticos. Aliás, política é algo profundamente animalesco, está arraigado nos animais, mormente nos primatas, mas também nos insetos, talvez exceptuando os artrópodes e outros seres menores da insetolândia. Porém sempre haverá a política do acasalamento, quando não se segue a ela a política da criação dos filhotes.
Todavia, o que conhecemos da química? Apenas a parte técnica que fazem saltar átomos, elétrons, partículas e subpartículas, enfim, transformando átomos em íons, dentre outras tecnologias de que o homem é capaz de fazer. Contudo, se é capaz de fazer não o é, tanto assim, de conhecer. O conhecimento, a ciência está mui aquém da prática, da técnica. O homem antes de sapiente é “faber”. A fazenda, o fazer, o realizar é o seu forte, mas não o conhecimento,  que difere do saber. O saber se conecta ao fazer, não ao conhecimento diletante, delirante, quixotesco, obra de fé e propaganda, que mal se vincula à prática. Na realidade, o conhecimento é uma liga que funde a ficção, não a coisa e o estudo do objeto. Aliás, o próprio objeto do conhecimento (ciência) está desconectado da coisa, que é o real
( o célebre e cerebral “res” do latim, língua mais próxima às linguagens que às línguas, sendo as linguagens mais próximas das coisas, verdadeiras ferramentas das coisas, enquanto as línguas vernaculares se abrigam mais na ficção da poesia, na literatura e na sombra de ciência cujas provas ou quase-provas estão embasadas pelas estatística,uma ciência do nada coletivizado, da abstração pura das tendências que os números fazem oscilar como ondas, que não se sabe ou se conhece o que são ou o que provam ou reforçam como prova. O latim é uma língua do saber e fazer. Já o grego dividia o saber em conhecimento e desse conhecimento derivou a filosofia e a gramática, que tudo pode em invenção e política. O saber, ao contrário, nada pode em política).
O “faber”, no homem, é muito mais que o “sapiens”: mesmo que o “sapiens sapiens sapiens...O que fazemos na química é mais do  que conhecemos, daí a discrepância que cria os efeitos colaterais nos fármacos e tudo o mais que é produzido pelo homem como alimento, droga, etc., bem como as dificuldades ara explicitar as teorias que são bem menores que as ferramentas , as práticas ou os produtos químicos realizados pelo homem. E como o fazer em muito supera o conhecimento, não temos ciência explicativa, senão por fórmulas mágicas postadas nas teses dos doutos, as quais não passam de palavras e linguagens sem função, pois divorciadas da prática. As estatísticas tomam o lugar dos horóscopos e mapas astrais, da quiromancia, dentre outras práticas mágicas que alimentam o embasamento mágico, que continua povoando mais nossas explicações do que a sabedoria ou a erudição com perspectiva filosofante, ao modo do que fazia Marx que, desse modo, criou uma abordagem para as ciências sociais, dentre elas, com destaque, a economia e a sociologia, bem como a política, que jamais foi igualada, conquanto as consequências de raciocínio tão brilhante leve a um estúpida conclusão sobre a sociedade socialista e comunista. Isso mostra como a teoria é coxa,
Não anda direito e reto, conquanto a técnica de raciocínio, a heurística seja genial. O mito ensaia o tubo no laboratório e estraga o labor do martelo sobre a bigorna, graças á conotação que vem pela mão humana que bate o martelo e decide o pleito ou o objeto forjado. A química e a alquimia demonstra quão pouco evoluímos em conhecimento, conquanto em tecnologia nos sobrepujamos, mas mesmo assim com limites vergonhosos. Vide a área médica,
Que é a que mais nos interessa, pois toca a vida e a morte, que tanto almejamos ardorosamente vencer. Sem embargo, mesmo a tecnologia de ponta está abaixo do ridículo. O ridículo a sobrepuja com imensa, infinita distância de frente e verso. Porém, nos apoiamos na mentira e fingimos que em breve chegaremos ao topo da ciência e da tecnologia, conquanto a fase que atravessamos ainda é digna de zombaria e, quiçá, nem tenha alcançado os antigos, dos quais desconhecemos contextos e tecnologia de fato e não apenas históricas, ou seja, narrdas pela boca do sonho no sono profundo.”De profundis”.
No que tange à ciência do rinoceronte, animal portentoso e mui visível, sua ciência está completa e irremediavelmente atolada na areia movediça da política e não há como salvá-la, nem quem possa ou ouse. Política é saber-fazer de bicho e, por isso, feroz : não se pode contrariar aos animais alfa,  se se pretende continuar vivo. Caso contrário...: que morra o bicho?! Não, pois o homem é o bicho. Que o homem evolua até a genialidade, a sabedoria
E faça a ciência, a política, o mercado, Deus, enfim, tudo : menor que ele, o homem, criador do resto, conquanto eu prefira ter Deus para me apoiar e salvar que a solidão da sabedoria, que nunca basta e não atende, nem assiste na morte.
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